sexta-feira, 1 de julho de 2016

A Primeira viagem do Lucas


“Como assim vocês vão viajar de avião com um bebê de menos de 3 meses? Vão levá-lo para um lugar de frio? Ficaram malucos?” Desse jeito, descobrimos que uma viagem para Gramado, no Rio Grande do Sul, que parecia algo normal para a gente, não era assim tão trivial para muitas pessoas. 

A Serra Gaúcha que fora o nosso último destino antes do Lucas nascer, seria também o primeiro pós-gravidez. Já conhecíamos a região e tínhamos noção de que não seria difícil ficar empurrando um carrinho pelas ruazinhas de Gramado. Sabíamos também o quão tranquilo o Lucas fica quando passamos um dia fora de casa. E o frio da serra não assustava porque havíamos comprado pela internet um saco térmico para carrinho mega potente. Além disso, a TAM não cobra nada a mais (0800) de bebês viajando no colo dos pais. Na nossa cabeça, o cenário era todo favorável e não haviam grandes motivos para preocupação.

A primeira viagem do Lucas se tornaria ainda mais especial porque resolvemos levar com a gente nossos 2 sobrinhos queridos de 16 e 17 anos. Há tempos prometíamos uma viagem a eles e o maior desejo dos dois era ver neve pela primeira vez. Como viajar para um lugar com temperatura negativa nesse momento estava fora de cogitação, tivemos que pensar em uma alternativa. Foi aí que mostramos fotos de Gramado a eles. Além das várias atrações para adolescentes (Museu de Cera, parques e museus aos montes), a cidade tem o seu parque de neve permanente – a Snowland. Bingo! Eles ficaram empolgados na hora.

Depois de definido o destino, o próximo passo era reservar o hotel. Como o Lucas só mama no peito ainda e consequentemente não necessita de cuidados especiais com a alimentação, não nos preocupamos em escolher um hotel equipado com cozinha. Uma decisão importante foi levarmos o carrinho dele que vira Moisés (caminha), assim ele dormiria à noite onde já estava acostumado e não precisamos procurar por um quarto equipado com berço. No final das contas, nossas únicas exigências foram um hotel bem localizado no centrinho de Gramado e um quarto com calefação. Foi assim que escolhemos a simpática Pousada Solar da Serra para dormir 4 noites.

Outra decisão que consideramos acertada foi alugar um carro no aeroporto de Porto Alegre com bebê conforto. Se já considerávamos o aluguel de carro a melhor opção para explorar a Serra Gaúcha sem bebê, imagina com um...

Na prática, podemos dizer que a viagem foi super tranquila e o saldo altamente positivo: Lucas não estranhou o avião e a rotina de passeios, não sentiu efeito algum da decolagem e aterrissagem, não passou frio (o saco térmico para carrinho foi fundamental) e se comportou muito bem. Nossos sobrinhos adoraram todos os passeios e nós conseguimos curtir bastante o friozinho e a comida da serra ao lado de quem amamos.

É claro que não elaboramos um roteiro frenético e respeitamos o horário do Lucas dormir e acordar. Tudo foi feito com calma e sem pressa. E obviamente o Lucas não foi na Snowland. Respondendo à pergunta do primeiro parágrafo, ainda não ficamos malucos de levar um bebê para encarar um frio de -4oC.

A gente aproveita o momento para reunir o que fizemos nessa e na primeira viagem pela Serra Gaúcha e contar tudo nos próximos posts.

sexta-feira, 24 de junho de 2016

O São João de Caruaru e Campina Grande


Aproveitando o período de festas de São João por todo canto, resolvemos contar as nossas experiências nos 2 arraiás mais populares do Brasil: Caruaru e Campina Grande. Não, não fizemos uma maratona festiva para conhecê-las em uma mesma viagem. :) Viajamos em anos diferentes (2013 e 2015), aproveitando sempre um feriado prolongado no mês de junho. Ambas as viagens na companhia de uma pessoa especial: a mãe da Monalisa.

As duas cidades competem acirradamente pelo título de “Maior São João do Mundo” e todo ano trazem novas atrações para a disputa. São shows, parques temáticos, competições de quadrilhas e muito mais. Tudo gratuito e extremamente democrático. Apesar de estarem localizadas em estados diferentes (Pernambuco e Paraíba), Caruaru e Campina Grande são praticamente vizinhas (143 km as separam). Para quem dispõe de férias ou alguns dias livres, pode ser uma excelente opção alugar um carro e conhecê-las em sequência. Deixando claro que nenhuma das duas possui atrativos suficientes que justifiquem uma visita turística de quem mora longe fora do período festivo, que ocorre normalmente durante todo o mês de junho. O seu grande apelo é mesmo a brincadeira junina.

Deixando o blá-blá-blá de lado, vamos ao que interessa:

Caruaru

A programação do São João de Caruaru se distribui por toda a cidade, mas os principais polos são o Pátio de Eventos Luiz Gonzaga (ou Pátio do Forró) e o Alto do Moura.

No Alto do Moura, um bairro simples a 7 km do centro, o arrasta-pé rola solto o dia inteiro. São vários restaurantes e barzinhos, na rua principal de paralelepípedos, tocando um bom forró pé de serra. Outros atrativos são a Casa-Museu Mestre Vitalino, o Memorial Mestre Galdino e os ateliês que expõem obras, fotografias e peças de barro que deixam ainda mais viva a cultura nordestina. Artesões, cantores e turistas se misturam criando um ambiente animado e imperdível.


No Pátio do Forró é onde acontecem os grandes shows de artistas famosos e outros menos conhecidos (pelo menos para 2 cariocas que não visitam o nordeste com tanta frequência rs). A área é enorme! Quando fomos, as atrações principais foram Santana e Davi Magnata em uma noite e Elba Ramalho na noite de sábado. Os shows estavam lotados e a galera dançava e cantava praticamente todas as músicas. Curtimos muito!!! Uma coisa que ficou marcada e sempre lembramos é a tapioca de queijo coalho com carne seca que comemos em uma das barracas do pátio. Já comemos várias tapiocas (no nordeste mesmo), mas essas foram especiais. Deu até vontade de jantar todos os dias por ali. :)


Praticamente em frente ao pátio, a Estação Ferroviária é a grande maravilha da festa. Lá, são montadas vilas cenográficas que mostram o cotidiano do interior nordestino e é onde acontecem as competições de quadrilhas e duelos de repentistas. Barracas de comida típica completam o cenário apaixonante.


Saindo um pouco do roteiro “festa e comida”, fomos conhecer a Feira de Caruaru onde são vendidos artesanatos produzidos a partir de barro, couro, madeira e outras matérias-primas. Aproveitamos para comprar toda a decoração da festa junina que há tempos adiávamos fazer. Tudo lindo e baratinho.


Outro lugar que visitamos e adoramos foi o Museu do Cordel que homenageia o cordelista Olegário Fernandes. O acervo de cordéis e máquinas de xilogravura é bem grande e interessante.

Campina Grande

Se Caruaru tem o Pátio do Forró, Campina Grande não fica atrás e oferece o Parque do Povo, que abriga os principais shows do período festivo. Nas duas noites que estávamos lá, as principais atrações foram Os Nonatos, Alexandre Tan, Forró do Bom e Forró Bakana. Gigante, o parque reúne, além do pátio de shows, uma área fechada em formato de pirâmide onde acontece o embate das quadrilhas e é celebrado um casamento coletivo. Estão lá também uma réplica da catedral da cidade, uma fogueira e uma área cenográfica com restaurantes e salões de dança para os casais curtirem juntinhos um forró. As comidas típicas marcam presença na rua anexa ao parque.


Fazendo um paralelo novamente com Caruaru que tem o bairro Alto do Moura como escapada perfeita à confusão do centro, Campina Grande tem o município de Galante. A cidade é o destino final da concorrida Locomotiva Forrozeira (ou Trem do Forró) que funciona nos finais de semana de junho. Durante o trajeto desde Campina Grande, os vagões do trem são embalados por muita música e dança típica. Não chegamos a nos arriscar na experiência “dentro da pipoca em micareta da Ivete”, mas pelo menos vimos o pessoal chegando bem animado em Galante. Ah sim, falando da cidadezinha, não achamos nada demais e acabamos não demorando muito na visita.


Um lugar bacana que visitamos em Campina Grande foi o Sítio São João. Com um cenário todo inspirado na vida no agreste, o local reproduz residências, igreja e uma casa de farinha. Foi a única atração paga da nossa incursão pelas festas de São João nordestinas.
 

Como não podia faltar uma feira de artesanato, a Vila do Artesão oferece estandes com produtos interessantes e um restaurante que rendeu momentos bem legais. Íamos apenas comer um petisco, mas acabamos passando uma tarde inteira lá por causa de um trio de forró que animava o ambiente. 


Poderíamos ficar em cima do muro, já que as 2 festas são lindas, mas não dá para esconder: gostamos mais da festa de Caruaru. Nesse período do meio do ano, até bate uma invejinha dos recifenses que podem ir todo final de semana curtir a animação da capital do forró.